A quase-candidatura Silvio Santos

O pleito de 1989 foi o retrato do confuso país que atravessara os anos 1980.
Foi uma eleição televisiva, com longos debates e horas de propaganda gratuita, que alcançava grande índices de audiência.hqdefault
A televisão também atuou como agente político, em especial a Rede Globo, apontada por muitos como fundamental para a vitória de Fernando Collor.
Destaco aqui um momento daquele pleito, que conto no livro “1989 – A Maior Eleição da História”.
Caso se concretizasse, seria o cúmulo da influência televisiva em eleição: a menos de 20 dias do primeiro turno, Silvio Santos lançou-se candidato e embaralhou a sucessão.
Nas pesquisas de intenção de voto coletadas logo após seu ingresso na disputa, atropelou os adversários.

Mas foi tudo uma breve aventura.
No dia 9 de novembro de 1989, contudo, seu registro de candidatura foi negado pelo TSE, para alívio de Roberto Marinho, dono da Globo, de Fernando Collor, que viu sua vitória ameaçada e de Lula e Brizola, que, com a entrada de Silvio Santos, pareciam dar adeus à disputa do segundo turno, que parecia fadada a ser decidida entre o popular apresentador e Collor.

Trecho do Livro “1989 – A Maior Eleição da História”
Pgs. 93-94

” (…) foi usando todo o peso de sua audiência e todo seu charme como comunicador que a candidatura foi gestada. Sua plateia era muito maior e sua mensagem não vinha embutida em um formato político-eleitoral, mas como entretenimento, em um ambiente habilmente montado pelo gênio comunicativo do dono do SBT.
As aparições de Silvio falando sobre sua possível candidatura podem ser encontradas até hoje na internet, e devem ser considerados uma obra-prima de oportunismo político. É fundamental lembrar que não foi apenas a popularidade de Silvio a explicar o seu sucesso nas primeiras pesquisas como candidato.

(…)

O impacto da candidatura Silvio Santos nos números das pesquisas de intenção de voto foi avassalador. O apresentador tirava votos de todos os candidatos, em especial de Collor e parecia eliminar qualquer possibilidade de um segundo turno com a presença de Brizola ou de Lula.
Sílvio Santos assumia o primeiro lugar. A esquerda, por sua vez, perdia as esperanças de chegar à Presidência. No dia 2 de novembro, o Estado de São Paulo divulgou pesquisa do Instituo Gallup em que os eleitores puderam ter a dimensão do estrago que Sílvio Santos fazia nas demais candidaturas.
O apresentador de televisão desbancava Collor do primeiro lugar na corrida presidencial, algo inimaginável. Arrancaria com 29% das preferências. Collor ia para um segundo lugar, com 18,6% das intenções de voto. Lula ficava com 10,6% e Brizola com 9,9%. A menos de 15 dias do primeiro turno, e em se confirmando a candidatura Silvio Santos, pouco poderia ser feito para que se evitasse um segundo turno entre o dono do SBT e Fernando Collor.”

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Sobre Rodrigo de Aguiar Gomes

Historiador
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